Nesses dias longos e chuvosos
Me vem o medo das horas
Ininterruptas
Lentas
Vazias
À minha frente
Horas demais se arrastam
Tempo infindo a ser preenchido
Maquinalmente preenchido
Para encobrir o vazio
Horas amargas
Em que só o silencio
Perigosamente espreita
Recolhida a um canto
Para que a solidão que me espreita
Não tome lugar a mesa
Horas perigoas, afiadas
A espera de um desliza
Pactuações tácidas
Para ocultar a fragilidade do dia
E as nossas.
Escrito por nós às 19h00
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