Fugas
Aqui estou eu a esperar que as horas
Passem
Repassem
Transpassem
Removam-me
Há sempre esse misto
De cegueira e imprecisão
Os enleios as fugas
Cansativos abismos
Loucuras prescritas
Ansiadas
A distância pretendida A prisão.
Escrito por nós às 19h05
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Nesses dias longos e chuvosos
Me vem o medo das horas
Ininterruptas
Lentas
Vazias
À minha frente
Horas demais se arrastam
Tempo infindo a ser preenchido
Maquinalmente preenchido
Para encobrir o vazio
Horas amargas
Em que só o silencio
Perigosamente espreita
Recolhida a um canto
Para que a solidão que me espreita
Não tome lugar a mesa
Horas perigoas, afiadas
A espera de um desliza
Pactuações tácidas
Para ocultar a fragilidade do dia
E as nossas.
Escrito por nós às 19h00
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“Todo dia me cai uma cor uma máscara, um vazio De repente essa nudez que apavora Me chama, me retém me abre do avesso me vejo com medo sem faces sem dor Feito pétalas do alto entre espinhos e retalhos marcas cicatrizes me descortino em brasas ardo em tormentos ...há tanta dor em se saber...”
Escrito por nós às 10h05
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“Eu sempre insisto Como se nada visse
Eu sempre vivo Como se nada fosse
Eu sempre nada Como se fosse tudo
Eu sempre tanto Como se nunca, quase.”
Escrito por nós às 21h38
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Eclipses
Viagens fagulhas
Essa noite não vai ter fogos
Ou vinho
Estantes retratos
Mensagens
Essa noite não vai ter fagulhas
Ou vinho
Rizomas, aquários
Lamúrias
Hoje, nada de fogos
Ou vinho
Espaços. Vazio
Retidão
Nunca mais fogos
Ou vinho.
Escrito por nós às 21h33
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“Amanhecer torpores Remoer dilemas Mastigar as horas Mitigar as dores
Despertar do cinza
Acordar-se nuvem Levantar em flores Almoçar em-cantos
Respirar um lúmen Suspirar clamores Despir-se lua Adormecer amores”
Escrito por nós às 21h30
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Hoje
vento
reticente
sentido
vazio
face
cálida
olhar
magro
andar
seco
lua minguante?
Dani Santos
Escrito por nós às 22h31
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silenciosamente
Essas noites
De calar
O canto
O vento
O sopro
Resta?
O tempo
O tênue
O espaço
Entre o branco
E o retrato
Pra não falar de cinzas
Essas noites
De fechar
A porta
A carne
O olho
Resta?
A ferida
O frio
O espaço
Entre o branco
E o mar de lama
Pra nunca mais dizer do cinza
Dani Santos
Escrito por nós às 22h28
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pressão
o que falta
talvez chegue
quiçá onde
deveras como
se fosse ontem
ou já amanhã
onde? se já cheguei
tarde
que era tanto
ou nunca ou quase?
Dani Santos
Escrito por nós às 22h12
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Distância
Olho-me no espelho – essa desconhecida
Procuro-me no que sobrou
Nas marras, restos, relances
Vasculho os pedaços, fagulhas
- o reflexo no espelho me sorri
E é um rosto estranho
Uma face distante
Em seu riso sarcástico
Olho-me e são mil faces o que vejo
Peles, retratos, redomas.
Flores arrancadas, perdidas.
Pedras, feridas
Olho-me e mais uma vez me perco.
Dani Santos
Escrito por nós às 21h51
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monocromia
as cores repetindo-se
incessantes
lentamente
fastidiosas
cal ma men te
de li ca das
até a gota dágua
o suplicio máximo
insano
absurdamente
a repetição
o mesmo
o um
o antes o agora e o depois
numa dança inerte
vazia
inesgotável
Dani Santos
Escrito por nós às 21h16
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“Quando não se sabe mais Se ri, se chora...
A vida desfiada na calçada das horas...
o tempo estremecente galgando passos vazios
O ritmo escorrendo Num labirinto sem fim
O mar-amar-a morte-vida
Tudo é tão incerto Tão incólume Quanto o verbo
A carne rasgada ressentida jorrando feridas flores abertas cores fugidias
o tom amargo o dissabor o inodoro o incolor
Monocromia: o laço acinzentado fatalmente a ponte vazia e fria.
o passo descompassado... o avesso e a solidão o fundo o raso o mistério a desfusão...”
Escrito por nós às 07h50
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escuras rosas no céu
nuvens-pétalas
multiformes
inflamadas
em chamas
jardim-lunar
com suas raízes douradas
róseas galáxias
acima de nós, todos os mundos...
Danieli Santos
Escrito por nós às 08h40
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das bocas ásperas
nenhum som
sol
só
lamentos
ruídos ruidosamente talhados
lamúrias
palavras espectrais
destitídas
de sua fonte
des-significadas
dis seca das
nada
Escrito por nós às 21h10
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“Depois da chuva o céu de plumas
De flocos espessos, entrecortados
Simulando danças
Desfilando cores e ornamentos
Nuvens-algodões bailando sem máscaras.
Depois da chuva, o arco-íris
Serenando o tempo
molhado e morno
rabiscando o céu
com suas longínquas asas...
Depois da chuva o festival
A semente, pequena e pura
Desafiando a terra
Saltando em flores
Enchendo de cores
A secura do mundo...”
Dani Santos
Escrito por nós às 07h52
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